A maioria
das pessoas não conhece muito bem os ramos da ciência que trata exclusivamente
dos idosos.
A psicologia
que existe apenas há cinquenta anos no Brasil ajudou abrir algumas portas na medicina,
para a inclusão das doenças psicossomáticas, resultado de conflitos psíquicos
que adoecem o corpo.
Dois novos
ramos da ciência surgiram, a gerontologia e a geriatria destinadas ao
atendimento dos idosos.
A
gerontologia, alem de cuidar dos problemas psicológicos, também atua na esfera
social do idoso, facilitando sua convivência na comunidade e em grupos
específicos, na tentativa de aliviar a profunda angustia e depressão que assola
a terceira idade, ocupando dessa forma o espaço vazio deixado pela família que,
em alguns casos, todos já morreram ou se desfizeram pela distancia de
convivência.
Dentro da
esfera dos mecanismos psíquicos, fazem parte elementos sociais, afetivos,
culturais e econômicos.
Tais
elementos têm importância vital no diagnóstico das doenças, não apenas pela
fragilização do organismo, mas também àquelas doenças oportunistas que surgem
derivadas de conflitos psicológicos acumulados ao longo dos anos, com os quais
o idoso não consegue mais lidar.
O idoso do
século passado ocupava um lugar no meio familiar de quase um “Xamã”, pois sua
longa experiência de vida, o habilitava a participar de decisões bem como no
trato das doenças infantis dos netos ou outras experiências trazidas pela idade
avançada. Sentia-se útil e respeitado em sua dignidade madura.
Havia por
parte dos filhos certo revezamento de papeis, ora eram os pais dos seus pais
quando estes estavam doentes, impotentes, e vice-versa.
Mas a
configuração familiar mudou completamente, deixando de atender primeiro aos
avós, e agora aos pais.
Essa
orfandade que se impregnou na nossa juventude, trouxe consigo não a
independência desejada, mas a destruição de valores saudáveis que mantinham os
laços familiares aquecidos, numa ajuda mútua.
No passado,
o idoso dificilmente sentia depressão e reposição hormonal não existia, não só
pelo tempo de vida que era menor na sociedade dos anos trinta, como também
pelos valores da época.
A mudança de
valores tão importantes ao ser humano trouxe também doenças psicossomáticas que
embora estivessem latentes, não desabrochavam de forma tão freqüente devido à
manutenção afetiva da autoestima advinda dos familiares.
Na
senilidade é comum um aumento de conflitos emocionais que podem evoluir para
somatização. O idoso, em função da diminuição da vitalidade, fica mais
susceptível aos desajustes familiares, podendo desenvolver uma psicose
endógena.
Geralmente,
por uma retração da libido genital para a região anal, tende a se preocupar
exageradamente com a função intestinal.
O medo da proximidade da morte aliado a constatação de sua impotência gera insônia, depressão, estados inespecíficos, que os médicos não conseguem diagnosticar.
Seu estado
interno sofre uma regressão no que diz respeito à proteção que exercia sobre
seus familiares, mas que agora, não consegue porque é ele quem precisa ser
protegido.
Os familiares por sua vez, não aceitam bem
essa inversão de papeis.
Infelizmente,
em nossa sociedade, poucos podem usufruir os cuidados da gerontologia em sua
missão de reintegrar os idosos na sociedade e aliviar-lhes a angústia.
Terapia
ocupacional seria uma boa saída para aqueles que não podem ter um gerontólogo a
seu dispor, e poderia ser aplicado em casa pelos familiares, se puderem abrir
mão de um pequeno tempo para se envolverem com seu idoso pedindo que faça alguns
trabalhos manuais e destacando a importância dessa ajuda que ele pode oferecer.
Um dos
graves problemas do idoso é o sentimento de inutilidade, depois de uma vida
toda de utilidade para tantos.
Faço um
convite aos mais jovens: “Cuidem um pouco mais dos seus idosos porque eles
serão vocês amanhã”.



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Muito esclarecedor o texto.
ResponderExcluirSe as famílias se dedicassem aos idosos como se dedicam às crianças, todos colheriam os frutos de ter uma família equilibrada, aproveitando a sabedoria dos idosos para todos, servindo de exemplo para os jovens, que certamente teriam um futuro melhor a esperar pela frente...
Creio que você é uma pessoa bastante consciente sobre a necessidade dos idosos, embora ainda jovem. Mas o maior problema é a mudança da sociedade para coisas banais, materiais e totalmente inconscientes sobre o avanço do tempo que não perdoa ninguém. Parece que as pessoas vivem apenas o "aqui, agora", se entregando de corpo e alma para coisas e não para pessoas. A sensação que dá é que ninguém veio de uma família, mas apareceram das "coisas" e isto é lastimável! Agradeço seu interesse.
ExcluirPensamento do dia:
ResponderExcluirNão se constrói um telhado confiável se o alicerce não for adequado.
Gostaria que muitas pessoas pudessem e quisessem ler esse blog. Acredito que estou fazendo um trabalho bastante importante para a própria sociedade que esta mais perdida do que nunca. Mesmo assim, sabendo que redes sociais são apenas válvulas de escape para essa terrível solidão que nos assola, onde as pessoas se iludem que tem amigos, vou continuar.
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