" É NA ANÁLISE DE NÓS MESMOS QUE ENCONTRAMOS A SÍNTESE DAS ANTÍTESES SUBJACENTES "

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

UMA ANÁLISE SOBRE OS IDOSOS DE HOJE E DOS QUE SERÃO AMANHÃ




A comparação que hoje fazemos entre as gerações passadas e atuais, nos leva a cogitar que as mais antigas sejam mais saudáveis, não obstante as evidentes melhorias no padrão de vida das pessoas desde a alimentação até as descobertas científicas que possibilitaram a  prevenção e cura de doenças outrora fatais.
As crianças de hoje, são pequenos robôs que seguem cada vez mais em uma direção totalmente destrutiva quanto à saúde e os valores. Perguntamos várias vezes o que aconteceu com a sociedade?
As crianças perderam o seu estado criativo natural para outro, vinculado ao consumismo desenfreado, modelado pelos próprios pais que só conseguem se sentir realizados quando obtém todas as engenhocas criadas para o consumo e enriquecimento das empresas.


Não se pensa mais na saúde do desenvolvimento natural, como correr, brincar de pique, cobra-cega, bolinha de gude, empinar pipa, e outras tantas brincadeiras saudáveis que obrigavam ao movimento dos seus corpinhos em desenvolvimento. As brincadeiras de rua, que hoje são inviabilizadas devido ao crescimento caótico do trânsito e da violência em todas as cidades, nos faz acreditar que nem sempre a evolução dos bens materiais nos completa enquanto seres humanos. Pior do que isto: nos torna mais amargos e menos disponíveis aos afetos.
O avanço tecnológico serviu para muitas coisas importantes mas destruiu outras tantas, tão caras à humanidade, como a saúde, os relacionamentos humanos e a qualidade das construções afetivas.
Vemos crianças ainda pequenas, gordas, sentadas frente à tevê comendo o dia todo, sem qualquer exercício! Existem aquelas que são submetidas ao oposto : desde cedo participando de todas as atividades esportivas ou artísticas para se tornarem padrões de beleza física e desempenho. 


Os jovens, por sua vez, permanecem com seus corpos inertes e seus dedos ágeis diante de computadores ou celulares, como bonecos semiarticulados, buscando um contato que não aprenderam a buscar em seus próprios familiares, através do contato direto, porque as “relações virtuais” se tornaram mais importantes que a própria família.


Como os pais puderam permitir esse vazio familiar deixando filhos ainda bebes, ao encargo de creches que não tem qualquer envolvimento afetivo com as crianças ali depositadas como pacotes para serem guardadas durante algum tempo? Que valores poderão ser ensinados por “tias” ainda adolescentes que cuidam dessas crianças ainda em formação?



As casas, antes com grandes quintais onde a criançada brincava o dia todo,transformaram-se em gaiolas sobrepostas, onde o espaço está cada vez menor e as intolerâncias advindas da falta do gasto de energia por parte deles os tornam verdadeiros déspotas para com os pais, exigindo cada vez mais sem nada oferecerem em troca.

Pergunto: “ A partir do que está se cultivando hoje, que tipo de idoso haverá num futuro próximo?” e ainda : “Que sociedade estamos criando para um futuro onde os idosos serão em maior número ?”


Todos os países do mundo têm aumentado as médias de longevidade da vida humana e consequentemente aumentado a presença de pessoas de acima de sessenta anos na sociedade. Isto significa que a maneira como modelamos a velhice terá impacto determinante na própria sociedade


Antes era o amor, o respeito, o temor a Deus, a decência, a honestidade e outros tantos valores que permitiram nossa sobrevivência até os dias atuais.
Hoje, o que temos são crianças obesas ou anoréxicas, mal educadas, entediadas, egoístas, sem qualquer respeito para com os mais velhos e o que é pior, sem uma tábua de valores sociais que os tornem cidadãos respeitáveis no futuro.
Chegarão à velhice? Talvez, mas com doenças de vários tipos, principalmente as ligadas á obesidade e ao vazio de propósitos, sentimentos e valores... uma enorme SOLIDÃO !


A humanidade tende a caminhar para a autodestruição do planeta, da vida, dos valores, da saúde, do amor ao outro e vai por ai afora. O aumento de tempo de vida acaba por não ser bem recebido pelos idosos atuais que se sentem rejeitados tanto na sociedade como na esfera familiar.
Cabe aqui outra pergunta: “Todo avanço tecnológico melhorou a vida do idoso?”
A resposta é : ainda não ! De nada adianta aumento da longevidade, sem qualidade de vida, sem a construção afetiva que nos ampara quando todos os apelos do consumismo e dos padrões sociais perdem o sentido... e acreditem : Todos eles perdem o sentido para todos nós, em algum momento. Mesmo em se tratando de cuidados meramente físicos, apenas os mais abastados recebem o tratamento adequado porque pagam preços exorbitantes por ele.
Como poderemos educar nossas crianças de hoje, se embarcamos no consumismo desenfreado valorizando mais o TER que o SER?
Os reflexos desse desmoronamento dos valores adequados ao desenvolvimento das crianças de hoje, pode nos oferecer a ideia de que no futuro a velhice será vazia e sem respeito amoroso por parte da família e da sociedade.
Essa reflexão pode estar sendo muito negativa, mas se observarmos as crianças de hoje, veremos o velho de amanhã.
Pergunto: - “O que poderíamos fazer agora, para revertermos esse desastre futuro”?


Mudar o padrão atual de uma hora para outra, me parece mais difícil que chegar a nado do Brasil aos Estados Unidos.
A exploração empresarial, em todos os ramos, parece ter vindo para ficar através da promessa em tornar mais fácil a vida das pessoas. Até ai, creio que realmente a vida se tornou mais fácil, mas nossos valores escorreram pelo ralo da inutilidade e com eles, a decência humana foi trocada pelo “obter” como meta a ser perseguida.
Tentar focar uma luz sobre o assunto, em primeiro lugar seria a obtenção de uma consciência maior sobre a educação familiar, valorizando o aprendizado da união entre as pessoas como fator primordial : resgatar as relações diretas, mais entre pessoas de carne e osso do que entre avatares cibernéticos.


Ensinar nossos filhos que SER é bem mais importante que TER. Que os objetos acabam com o tempo ou são trocados com mais facilidade e que o afeto familiar entre seus membros deve permanecer por toda uma vida, aliado ao respeito e admiração aos mais velhos como meta principal da existência.
Um casal que cria uma família deve levar em conta que os filhos continuam ligados a nós pelo resto de nossas vidas, a despeito da separação dos cônjuges, porque não se pode conviver erroneamente com alguém que não nos complete afetivamente, pois corremos o risco de criar mal esses novos seres. Em outras palavras, ainda que formemos uma nova família ou decidamos viver sozinhos, os filhos continuarão em nossas vidas, necessitando de nosso contato e de nosso afeto em sua formação como seres humanos de qualidade.  O compromisso que assumimos ao colocarmos um novo ser no mundo é bem mais importante.
É preciso dar a esses novos seres a confiança da proteção a despeito das dificuldades que a vida nos reserva.
Algo precisa ser feito antes que nos tornemos robôs ao invés de seres humanos.
Na linha do tempo, as crianças se afastaram dos idosos e vice-versa, o que tem sido um desastre ao longo das vidas de ambas as instancias.


Que tal se uma criança ensinasse ao seu idoso como participar do mundo atual com suas engenhocas? Seria um começo, pois voltar a empinar pipa não dá mais por causa dos fios elétricos, nem brincar de pique na rua, por causa dos automóveis, nem subir em árvores porque estão sendo podadas e arrancadas para darem lugar aos novos prédios que pipocam como sarampo.

Enfim, precisamos repensar a sociedade que queremos para nossos filhos e netos para que não sofram o que os velhos estão sofrendo atualmente.

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