A comparação que hoje fazemos
entre as gerações passadas e atuais, nos leva a cogitar que as mais antigas
sejam mais saudáveis, não obstante as evidentes melhorias no padrão de vida das
pessoas desde a alimentação até as descobertas científicas que possibilitaram a
prevenção e cura de doenças outrora
fatais.
As crianças de hoje, são pequenos
robôs que seguem cada vez mais em uma direção totalmente destrutiva quanto à
saúde e os valores. Perguntamos várias vezes o que aconteceu com a sociedade?
As crianças perderam o seu estado
criativo natural para outro, vinculado ao consumismo desenfreado, modelado pelos
próprios pais que só conseguem se sentir realizados quando obtém todas as
engenhocas criadas para o consumo e enriquecimento das empresas.
Não se pensa mais na saúde do
desenvolvimento natural, como correr, brincar de pique, cobra-cega, bolinha de
gude, empinar pipa, e outras tantas brincadeiras saudáveis que obrigavam ao
movimento dos seus corpinhos em desenvolvimento. As brincadeiras de rua, que
hoje são inviabilizadas devido ao crescimento caótico do trânsito e da
violência em todas as cidades, nos faz acreditar que nem sempre a evolução dos
bens materiais nos completa enquanto seres humanos. Pior do que isto: nos
torna mais amargos e menos disponíveis aos afetos.
O avanço tecnológico serviu para
muitas coisas importantes mas destruiu outras tantas, tão caras à humanidade,
como a saúde, os relacionamentos humanos e a qualidade das construções
afetivas.
Vemos crianças ainda pequenas,
gordas, sentadas frente à tevê comendo o dia todo, sem qualquer exercício! Existem
aquelas que são submetidas ao oposto : desde cedo participando de todas as
atividades esportivas ou artísticas para se tornarem padrões de beleza física e
desempenho.
Os jovens, por sua vez, permanecem com seus corpos inertes e seus
dedos ágeis diante de computadores ou celulares, como bonecos semiarticulados,
buscando um contato que não aprenderam a buscar em seus próprios familiares,
através do contato direto, porque as “relações virtuais” se tornaram mais
importantes que a própria família.
Como os pais puderam permitir
esse vazio familiar deixando filhos ainda bebes, ao encargo de creches que não
tem qualquer envolvimento afetivo com as crianças ali depositadas como pacotes
para serem guardadas durante algum tempo? Que valores poderão ser ensinados por
“tias” ainda adolescentes que cuidam dessas crianças ainda em formação?
As casas, antes com grandes
quintais onde a criançada brincava o dia todo,transformaram-se em gaiolas
sobrepostas, onde o espaço está cada vez menor e as intolerâncias advindas da
falta do gasto de energia por parte deles os tornam verdadeiros déspotas para
com os pais, exigindo cada vez mais sem nada oferecerem em troca.
Pergunto: “ A partir do que está
se cultivando hoje, que tipo de idoso haverá num futuro próximo?” e ainda : “Que
sociedade estamos criando para um futuro onde os idosos serão em maior número ?”
Todos os países do mundo têm
aumentado as médias de longevidade da vida humana e consequentemente aumentado
a presença de pessoas de acima de sessenta anos na sociedade. Isto significa
que a maneira como modelamos a velhice terá impacto determinante na própria
sociedade
Antes era o amor, o respeito, o
temor a Deus, a decência, a honestidade e outros tantos valores que permitiram
nossa sobrevivência até os dias atuais.
Hoje, o que temos são crianças
obesas ou anoréxicas, mal educadas, entediadas, egoístas, sem qualquer respeito
para com os mais velhos e o que é pior, sem uma tábua de valores sociais que os
tornem cidadãos respeitáveis no futuro.
Chegarão à velhice? Talvez, mas
com doenças de vários tipos, principalmente as ligadas á obesidade e ao vazio
de propósitos, sentimentos e valores... uma enorme SOLIDÃO !
A humanidade tende a caminhar
para a autodestruição do planeta, da vida, dos valores, da saúde, do amor ao
outro e vai por ai afora. O aumento de tempo de vida acaba por não ser bem
recebido pelos idosos atuais que se sentem rejeitados tanto na sociedade como
na esfera familiar.
Cabe aqui outra pergunta: “Todo
avanço tecnológico melhorou a vida do idoso?”
A resposta é : ainda não ! De
nada adianta aumento da longevidade, sem qualidade de vida, sem a construção
afetiva que nos ampara quando todos os apelos do consumismo e dos padrões
sociais perdem o sentido... e acreditem : Todos eles perdem o sentido para
todos nós, em algum momento. Mesmo em se tratando de cuidados meramente
físicos, apenas os mais abastados recebem o tratamento adequado porque pagam
preços exorbitantes por ele.
Como poderemos educar nossas
crianças de hoje, se embarcamos no consumismo desenfreado valorizando mais o
TER que o SER?
Os reflexos desse desmoronamento
dos valores adequados ao desenvolvimento das crianças de hoje, pode nos
oferecer a ideia de que no futuro a velhice será vazia e sem respeito amoroso
por parte da família e da sociedade.
Essa reflexão pode estar sendo
muito negativa, mas se observarmos as crianças de hoje, veremos o velho de
amanhã.
Pergunto: - “O que poderíamos
fazer agora, para revertermos esse desastre futuro”?
Mudar o padrão atual de uma hora
para outra, me parece mais difícil que chegar a nado do Brasil aos Estados
Unidos.
A exploração empresarial, em
todos os ramos, parece ter vindo para ficar através da promessa em tornar mais
fácil a vida das pessoas. Até ai, creio que realmente a vida se tornou mais
fácil, mas nossos valores escorreram pelo ralo da inutilidade e com eles, a
decência humana foi trocada pelo “obter” como meta a ser perseguida.
Tentar focar uma luz sobre o
assunto, em primeiro lugar seria a obtenção de uma consciência maior sobre a
educação familiar, valorizando o aprendizado da união entre as pessoas como
fator primordial : resgatar as relações diretas, mais entre pessoas de carne e
osso do que entre avatares cibernéticos.
Ensinar nossos filhos que SER é
bem mais importante que TER. Que os objetos acabam com o tempo ou são trocados
com mais facilidade e que o afeto familiar entre seus membros deve permanecer
por toda uma vida, aliado ao respeito e admiração aos mais velhos como meta
principal da existência.
Um casal que cria uma família
deve levar em conta que os filhos continuam ligados a nós pelo resto de nossas
vidas, a despeito da separação dos cônjuges, porque não se pode conviver
erroneamente com alguém que não nos complete afetivamente, pois corremos o
risco de criar mal esses novos seres. Em outras palavras, ainda que formemos
uma nova família ou decidamos viver sozinhos, os filhos continuarão em nossas
vidas, necessitando de nosso contato e de nosso afeto em sua formação como
seres humanos de qualidade. O
compromisso que assumimos ao colocarmos um novo ser no mundo é bem mais
importante.
É preciso dar a esses novos seres
a confiança da proteção a despeito das dificuldades que a vida nos reserva.
Algo precisa ser feito antes que
nos tornemos robôs ao invés de seres humanos.
Na linha do tempo, as crianças se
afastaram dos idosos e vice-versa, o que tem sido um desastre ao longo das
vidas de ambas as instancias.
Que tal se uma criança ensinasse
ao seu idoso como participar do mundo atual com suas engenhocas? Seria um
começo, pois voltar a empinar pipa não dá mais por causa dos fios elétricos, nem brincar de pique na rua, por causa dos
automóveis, nem subir em árvores porque estão sendo podadas e arrancadas para
darem lugar aos novos prédios que pipocam como sarampo.
Enfim, precisamos repensar a
sociedade que queremos para nossos filhos e netos para que não sofram o que os
velhos estão sofrendo atualmente.