" É NA ANÁLISE DE NÓS MESMOS QUE ENCONTRAMOS A SÍNTESE DAS ANTÍTESES SUBJACENTES "

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A PSICOLOGIA DO IDOSO


  



A maioria das pessoas não conhece muito bem os ramos da ciência que trata exclusivamente dos idosos.
A psicologia que existe apenas há cinquenta anos no Brasil ajudou abrir algumas portas na medicina, para a inclusão das doenças psicossomáticas, resultado de conflitos psíquicos que adoecem o corpo.
Dois novos ramos da ciência surgiram, a gerontologia e a geriatria destinadas ao atendimento dos idosos.
A gerontologia, alem de cuidar dos problemas psicológicos, também atua na esfera social do idoso, facilitando sua convivência na comunidade e em grupos específicos, na tentativa de aliviar a profunda angustia e depressão que assola a terceira idade, ocupando dessa forma o espaço vazio deixado pela família que, em alguns casos, todos já morreram ou se desfizeram pela distancia de convivência.





Dentro da esfera dos mecanismos psíquicos, fazem parte elementos sociais, afetivos, culturais e econômicos.
Tais elementos têm importância vital no diagnóstico das doenças, não apenas pela fragilização do organismo, mas também àquelas doenças oportunistas que surgem derivadas de conflitos psicológicos acumulados ao longo dos anos, com os quais o idoso não consegue mais lidar.




O idoso do século passado ocupava um lugar no meio familiar de quase um “Xamã”, pois sua longa experiência de vida, o habilitava a participar de decisões bem como no trato das doenças infantis dos netos ou outras experiências trazidas pela idade avançada. Sentia-se útil e respeitado em sua dignidade madura.
Havia por parte dos filhos certo revezamento de papeis, ora eram os pais dos seus pais quando estes estavam doentes, impotentes, e vice-versa.




Mas a configuração familiar mudou completamente, deixando de atender primeiro aos avós, e agora aos pais.
Essa orfandade que se impregnou na nossa juventude, trouxe consigo não a independência desejada, mas a destruição de valores saudáveis que mantinham os laços familiares aquecidos, numa ajuda mútua.
No passado, o idoso dificilmente sentia depressão e reposição hormonal não existia, não só pelo tempo de vida que era menor na sociedade dos anos trinta, como também pelos valores da época.
A mudança de valores tão importantes ao ser humano trouxe também doenças psicossomáticas que embora estivessem latentes, não desabrochavam de forma tão freqüente devido à manutenção afetiva da autoestima advinda dos familiares.
Na senilidade é comum um aumento de conflitos emocionais que podem evoluir para somatização. O idoso, em função da diminuição da vitalidade, fica mais susceptível aos desajustes familiares, podendo desenvolver uma psicose endógena.
Geralmente, por uma retração da libido genital para a região anal, tende a se preocupar exageradamente com a função intestinal.



O medo da proximidade da morte aliado a constatação de sua impotência gera insônia, depressão, estados inespecíficos, que os médicos não conseguem diagnosticar.
Seu estado interno sofre uma regressão no que diz respeito à proteção que exercia sobre seus familiares, mas que agora, não consegue porque é ele quem precisa ser protegido.
Os familiares por sua vez, não aceitam bem essa inversão de papeis.
Infelizmente, em nossa sociedade, poucos podem usufruir os cuidados da gerontologia em sua missão de reintegrar os idosos na sociedade e aliviar-lhes a angústia.
Terapia ocupacional seria uma boa saída para aqueles que não podem ter um gerontólogo a seu dispor, e poderia ser aplicado em casa pelos familiares, se puderem abrir mão de um pequeno tempo para se envolverem com seu idoso pedindo que faça alguns trabalhos manuais e destacando a importância dessa ajuda que ele pode oferecer.
Um dos graves problemas do idoso é o sentimento de inutilidade, depois de uma vida toda de utilidade para tantos.



Faço um convite aos mais jovens: “Cuidem um pouco mais dos seus idosos porque eles serão vocês amanhã”.


OBJETIVOS DO BLOG PSYCHÉ






O objetivo desse blog é o de trazer esclarecimentos sobre essa instância tão profunda e delicada que é nosso aparelho psíquico.
Além do raciocínio que nos induz ao conhecimento dos mistérios que nos circundam desde que nascemos, mistérios esses relacionados ao conhecimento intelectual, para que possamos cada vez mais sair da nossa condição “animal-humano”, nos trazendo os conhecimentos científicos que nos propiciam o entendimento da nossa própria espécie. Mas, temos outra instância bem mais profunda, que de forma inconsciente nos orienta para o convívio afetivo com nossos parentes e com a sociedade de forma geral.
Muitas vezes fazemos coisas que não entendemos,  que arruínam nossas vidas e capacidade de percepção, nos deixando incapazes de compreender tais ações, sentimentos, gestos e que em sã consciência, não faríamos ou não teríamos.
Muitas pessoas amam o rótulo, outras o conteúdo de um produto e essa escolha, faz toda a diferença na vida de todos nós. O ideal seria apreciar o rótulo e o conteúdo, é bem mais equilibrado.




A psicologia sempre tem algo a oferecer quando nos encontramos “entalados” em nossos valores pessoais, advindos da nossa educação.
Assim como tudo se altera na natureza, não somos os mesmos durante toda a trajetória de nossas vidas, mas o que permanece são os conflitos mal resolvidos que carregamos para outros seres que virão no futuro ao colocarmos filhos no mundo.
Seria como um velho tapete que já se encontra puído, mas que arrastamos para os novos lares que construímos.


Esse puído acaba por se tornar cômodo pelo fato de ser conhecido e driblado durante nossa passagem por ele, mas não darmos conta que novos seres irão tropeçar um dia.
As reflexões aqui postadas tentam esclarecer àqueles que, por preconceito ou narcisismo, ignoraram suas deficiências psíquicas ao negar qualquer de suas dificuldades diante da vida que já é bastante estressante.
Ao expor dificuldades psíquicas que todos os seres humanos carregam, talvez possamos dar um alerta ao comportamento inadequado dentro das famílias, que teimam em continuar ignorando suas deficiências na educação dos filhos.
Um trabalho, cuja dedicação se volta ao esclarecimento de como agimos quando copiamos comportamentos ensinados não apenas pelos nossos pais, mas também pela sociedade.
Ao compartilhar estas reflexões, frutos de quase oito décadas de vida, metade das quais dedicadas à psicologia e ao entendimento do humano, busco servir de inspiração, guia ou simplesmente de interesse para os chamados “mal resolvidos” no que se refere às suas próprias dificuldades tanto afetivas como sociais.

Aos interessados boa viagem, aos não interessados e mais acomodados, boa aterrissagem no comodismo diário do “não sei por que, mas também não faz diferença”...




COMO EXPLICAR A DOR DA VELHICE





Explicar a alguém ainda jovem é perda de tempo!
Apenas quando estamos mergulhados dentro da velhice, é que podemos compreendê-la em toda a sua plenitude.
A dor se apresenta com todo seu amargor quando nos olhamos no espelho e não nos reconhecemos mais. Nossa feição se transforma pelas perdas sofridas através dos anos, e essas, nunca mais voltarão mesmo que nos utilizemos de cirurgias e outros tantos recursos modernos.
As perdas externas se apresentam após anos de vivências com o sofrimento trazido pelo simples fato de existir.
As perdas vêm de dentro e mesmo que num passe de mágica pudéssemos reverter o externo, jamais poderíamos contar com a reprogramação interna que nos tornou amargos e sem esperança.
É uma etapa da vida onde o fim se torna o início do nosso dia e onde a esperança nos abandona para sempre.
Tornamo-nos frágeis, muito mais que uma criança, porque diferente dela temos a experiência vivida que nos aponta constantemente os ponteiros do relógio da vida e as dores do passado.
Ser velho é sofrer. Ser velho é ser esquecido e desvalorizado para sempre, e só aqueles que de alguma forma alcançaram fama no passado serão respeitados e lembrados.
O amor, sentimento necessário à vida, nos abandona deixando uma lacuna que jamais poderá ser preenchida. Seria como nos transformar em manequins de vitrina, sem rosto, sem qualquer vestimenta, apenas bonecos de gesso nus. Não há mais o que exibir a não ser sabedoria, coisa que ninguém quer comprar enquanto não chegar lá.
Numa sociedade consumista como a que eu vivo, não há mais nada a fazer senão morrer, forma esta única para tal sofrimento.
Ser velho é perder toda e qualquer ilusão, pois nada que faça, mesmo que de maneira correta e às vezes brilhante, interessará a quem quer que seja.
Toda a inutilidade dos esforços em ser uma pessoa melhor, de nada serviu para nos sentir melhores, porque o mundo é cruel e não valoriza seus antepassados e nem mesmo os que estão vivos ainda.

É triste, mas é a vida! Mas nós, só acreditamos nisso, quando estamos lá, antes não.