O número de suicídios de idosos subiu este
ano de 2014 em quase 90%. A pergunta que não quer calar é a seguinte: “Quais as
razões desse índice se os humanos temem tanto a morte?”.
Creio que em meu blog Psyché expus algumas
razões bastante convincentes para esse desfecho e apontei muito sutilmente
algumas razões sendo que a principal seria a falta de afeto familiar que
vivemos atualmente.
Estamos cultivando a plenitude Social,
embora esse “Social” se apresente de maneira inadequada sendo mais valorizadas
as redes de todo tipo e sem qualquer compromisso com o afeto ou mais
simplesmente, com uma amizade verdadeira. Todos querem exibir seus desconfortos
ou seus confortos para apenas nomes e fotos nas redes sociais, enquanto os pais
e os avós ficam de lado sem receberem o mínimo interesse de seus filhos e netos.
A destruição da família enquanto unidade
vem caminhando à passos largos priorizando em seu lugar, as novas invenções
tecnológicas, que são bem vindas, mas muito mal usadas em detrimento ao
conjunto afetivo e protetivo da família como um todo.
Nessa situação dolorosa da velhice que
fragiliza e tornam as pessoas vulneráveis, sensíveis e porque não dizer, quase
imprestáveis pela própria degradação física e mental, o sentimento é de
abandono, embora não estejam passando fome.
Assim como para a criança o carinho da
família lhe assegura proteção devido à fragilidade, com o velho essa
insegurança se repete.
Dentro desse quadro, a angústia interna
crucifica o velho levando ao desejo de fugir dela para sempre.
Quando a sociedade acordará para se
certificar que, para a velhice, todos chegarão e o pior, com os mesmos
problemas atuais dos seus velhos de agora por uma razão muito simples: “Tudo se
repete dentro da cadeia humana”.
Creio que o modernismo afastou muito os
pais dos pais e dos próprios filhos e essa cadeia alimentada pelo fanatismo de
sempre obter mais do que precisa um ser humano para viver bem, está levando os
velhos de hoje a desistirem da vida por vergonha de sua própria incapacidade
física e mental trazida pela velhice. A solução por eles encontrada está no por
fim a própria vida limpando o terreno para dar lugar às novas bugigangas
comerciais que são mais apreciadas que eles.
É tempo de pensarmos e sentirmos mais do
que nos entupirmos de novas bugigangas que são substituíveis, enquanto que o
carinho e o afeto pelos nossos velhos que tem prazo de validade serão levados
com ternura quando eles se forem dentro do tempo que lhes cabe e não por um
suicídio.
Reflitam, pois na melhor das hipóteses, todos chegarão lá.



