" É NA ANÁLISE DE NÓS MESMOS QUE ENCONTRAMOS A SÍNTESE DAS ANTÍTESES SUBJACENTES "

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COMO EXPLICAR A DOR DA VELHICE





Explicar a alguém ainda jovem é perda de tempo!
Apenas quando estamos mergulhados dentro da velhice, é que podemos compreendê-la em toda a sua plenitude.
A dor se apresenta com todo seu amargor quando nos olhamos no espelho e não nos reconhecemos mais. Nossa feição se transforma pelas perdas sofridas através dos anos, e essas, nunca mais voltarão mesmo que nos utilizemos de cirurgias e outros tantos recursos modernos.
As perdas externas se apresentam após anos de vivências com o sofrimento trazido pelo simples fato de existir.
As perdas vêm de dentro e mesmo que num passe de mágica pudéssemos reverter o externo, jamais poderíamos contar com a reprogramação interna que nos tornou amargos e sem esperança.
É uma etapa da vida onde o fim se torna o início do nosso dia e onde a esperança nos abandona para sempre.
Tornamo-nos frágeis, muito mais que uma criança, porque diferente dela temos a experiência vivida que nos aponta constantemente os ponteiros do relógio da vida e as dores do passado.
Ser velho é sofrer. Ser velho é ser esquecido e desvalorizado para sempre, e só aqueles que de alguma forma alcançaram fama no passado serão respeitados e lembrados.
O amor, sentimento necessário à vida, nos abandona deixando uma lacuna que jamais poderá ser preenchida. Seria como nos transformar em manequins de vitrina, sem rosto, sem qualquer vestimenta, apenas bonecos de gesso nus. Não há mais o que exibir a não ser sabedoria, coisa que ninguém quer comprar enquanto não chegar lá.
Numa sociedade consumista como a que eu vivo, não há mais nada a fazer senão morrer, forma esta única para tal sofrimento.
Ser velho é perder toda e qualquer ilusão, pois nada que faça, mesmo que de maneira correta e às vezes brilhante, interessará a quem quer que seja.
Toda a inutilidade dos esforços em ser uma pessoa melhor, de nada serviu para nos sentir melhores, porque o mundo é cruel e não valoriza seus antepassados e nem mesmo os que estão vivos ainda.

É triste, mas é a vida! Mas nós, só acreditamos nisso, quando estamos lá, antes não.

5 comentários:

  1. Texto incontestável... não há argumentos a não ser pela citação de que o mundo não dá valor aos velhos. O mundo não dá valor a ninguém! Hoje em dia você só vale pelo que você tem. Pode ser um canalha, ignorante, mas se tiver o que ostentar, sejam bens ou poder aí se diz que esse faz a diferença! Vivemos num mundo vazio onde cada ser luta desesperadamente para manter a "cabeça fora d'água" e não se afogar. E os que conseguem ficam apenas espiando os outros afundando em seus dramas particulares como que utilizando a desgraça alheia para "se sentirem melhores" pois afinal conseguiram... Tenho certeza absoluta de que tais sentimentos são partilhados por muitos jovens, desalentados, descrentes, desorientados. Apocalíptico, eu diria.

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    1. Creio que essa visão é correta mas coletiva, onde aponta o descredenciamento dos valores antes considerados primordiais para os seres humanos e que agora são caretas porque vivemos num "salve-se quem puder". Mas já foi melhor um dia. Quanto a velhice da forma que reportei, é um trauma pessoal de cada um, pois somente chegando lá é que se entende os velhos e suas frustrações. Obrigada pelo envio.

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  2. Nossa... isso é muito triste, tenho 22 anos (dia 1º faço 23) e às vezes penso em como o mundo não está tão indiferente e inerte para enfrentar os problemas importantes que enfrentamos em sociedade, dia após dia. É um absurdo o que idosos tem enfrentado, e com essa total inversão de valores, parece que td tem de a piorar. Mas eu sou otimista, tenho esperanças. ;)

    Outra coisa, não se sinta tão mau assim Jacy!
    Quando vc disse "Ser velho é perder toda e qualquer ilusão, pois nada que faça, mesmo que de maneira correta e às vezes brilhante, interessará a quem quer que seja." isso é um erro, pois vc dividiu como se sente em relação a velhice, e eu sinceramente achei interessante o seu texto.

    Um abç do RJ!

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  3. Olá Arthur! Agradeço sua postagem. Mas meu blog como psicóloga, tende a alertar as pessoas menos avisadas que a velhice não é tão romântica como fazem parecer alguns escritores mais antigos. A sociedade atual está muito materialista e dão mais valor aos bens que ao afeto, principalmente familiar.Eu me sinto mal com o quê observo nos velhos de hoje em dia. Vou postar novamente outro texto e você entenderá. Abração

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  4. Valeu por responder, e eu tô aguardo desse texto!
    Abraço!

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